Quero O Que?

Seria muita pretensão desejar saber o que faço comigo agora?
Ao olhar os outros a sensação que me vem é que só eu estou sem rumo,
que todos já conseguiram o seu bem-estar, cumpriram suas tarefas e agora,
dedicam-se apenas à curtir e saborear o que obtiveram.

Sinceramente me pergunto: será que isso também foi feito para mim?
Não seria mais inteligente, menos custoso, menos sofrido, assumir que não?
Não seria esse o lado bom da morte?

Bem, mas enquanto ela não chega o que faço?

É, estou frente à uma boa pergunta?
E ainda mais, sem nenhuma resposta.

O que me resta então?
Nada mais que conviver com o que tenho no momento, só alternâncias:
de pessimismo e otimismo,
de fé e desesperança,
de querer estar longe e ficar perto,
de decidir por um caminho e ir por outro,
de ainda desejar algo que parece não querer vir.

Seria isto tudo um enorme teste?
Que até agora tudo não teria sido apenas uma preparação para ele?
Que seria este o preço justo por algo ainda maior?
Que seria essa a condição para poder desejar?

De fato,
hoje sou só perguntas, dúvidas, indecisões, incertezas,
só desejos, sem nenhuma certeza,
fé sem nenhuma garantia,
enfim, alguém que segue só para não parar.

Movimento,
isto eu noto que me acompanha,
parece ser a tônica do meu momento.
É, paralisado definitivamente não estou.

Aí então me vem o óbvio:
já que não morri, vivo.
Sim, e daí?

Daí que ainda quero,
desejo, almejo,
ainda acredito que posso.

Percebo então, que além de simplesmente viver,
estou vivendo por opção,
que não quero desistir assim tão fácil,
que não quero morrer, não mesmo!

18.01.00